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Terça-feira, Outubro 04, 2011
Sexta-feira, Setembro 30, 2011
Estação
O amor é como uma estação,
Vai e vem,
Ao ritmo de um coração
sem trem
Tal facto não é uma contradição
Pois não é preciso chão,
Nem sequer um caminho
Quando não se caminha sozinho.
O amor é como uma estação,
Ora desembarcamos,
Tão certos de coisa nenhuma,
Vemos o que queremos
Mas o que vemos às vezes é tão errado
E tudo o que se sentiu até parece pecado
Numas só passamos uma vez,
Noutras passamos uma, duas, três…
Numas é bom por lá ficar,
Noutras não queremos lá voltar.
O amor é como uma estação
Existe um tempo exacto de chegada,
Um tempo exacto para a partida,
Tempo para a solidão
Para quem só se sabe atrasar,
Tempo para parar e voltar esperar…
Terça-feira, Julho 06, 2010
Trova do Vento que Passa - Manuel Alegre
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Cântico Negro - José Régio
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre é minha mãe
Não, não vou por ai! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por ai...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por ai!
Sábado, Novembro 15, 2008
Viagem de 15 de Novembro de 2008
Ponte Mizarela:
A peculiaridade desta construção levou a que, ao longo dos séculos, se tenham criado algumas lendas à volta deste lugar.
Diz-se que um padre se disfarçou de um salteador muito procurado pela justiça de Montalegre, para pregar uma partida ao Diabo. E certa dia, à meia-noite, foi aquele lugar para passar o rio. Como não conseguia atravessar para a outra margem, invocou o Mafarrico e prometeu-lhe a sua alma em troca da sua ajuda. Satanás estendeu-lhe um pergaminho, que o padre assinou, e num gesto este fez surgir das trevas a ponte. No entanto, o sacerdote havia escondido uma caldeira de água benta sob o burel, e rapidamente afastou a besta pronunciando vigorosamente um exorcismo e fazendo um sinal da cruz.
Existe ainda uma tradição peculiar associada à ponte. Sempre que uma mulher dezoito meses após ter casado tivesse dificuldades em ter filhos, "ou melhor dizendo, dificuldade em prender criança", ou se se previsse que o parto iria ser difícil ou até perigoso, bastava ir à ponte de Mizarela à noite pedir boa ventura. Sobre as rochas ela deveria esperar com o marido e familiares que passa-se o primeiro viajante. O viajante era então convidado para proceder à cerimónia de baptismo in ventris da futura criança. Para tal, o caminhante teria de recolher alguma água do rio, recorrendo a uma corda comprida com um vaso adaptado na ponta. Água que este, com a mão em concha, teria de deitarsobre o ventre da mãe, através de um pequeno rasgo aberto no seu vestuário. Acompanhado deste acto deveria acompanhar o acto com a seguinte ladainha:
Eu te baptizo
criatura de Deus,
Pelo poder de Deus,
e da Virgem Maria.
Se for rapaz, será 'Gervás';
se for rapariga, será 'Senhorinha'.
Pelo poder de Deus e da Virgem Maria,
um Padre-nosso e uma Avé-Maria.
Após a cerimónia o padrinho improvisado era convidado a cear, e assim se selava o ritual.
Barragem do Alto Rabagão:
Esta barragem localiza-se no conselho de Montalegre, distrito de Vila Real, e é também conhecida pela barragem dos Pisões. Encontra-se na encosta norte da serra do Barroso e trata-se de uma barragem de construção mista, uma parte tipo arco outra tipo gravidade, é uma das maiores de Portugal. Com uma altura de 94 metros e um comprimento de 1897 metros, foi construída em 1964 e é sustentada pelo rio Rabagão.
O seu lago artificial tem 4km de largura e 20km de comprimento, e a sua albufeira tem uma área de cerca de 2200 hectares, e tem sido utilizado para a realização de desportos náuticos.
Mosteiro de Santa Maria de Júnias:
Encontra-se num vale isolado por onde corre o rio Campesinho. A sua construção foi consagrada à Senhora das Unhas, e por simplificação fonética transformou-se em Senhora de Júnias.
O mosteiro não tem uma data definida da sua fundação e, embora exista uma inscrição gravada no muro exterior que aponte para o século XII (mais precisamente 1147), acredita-se que a sua construção seja mais antiga. Presume-se que este tenha sido edificado no século IX, data do estabelecimento de eremitas na região, que posteriormente se organizaram numa comunidade. Em 1247 o Papa Inocêncio IV notifica o mosteiro a filiar-se na ordem cisterciense, passando a depender do Mosteiro de Santa Maria de Bouro.
Durante a Guerra de Restauração da independência portuguesa, um ataque do exército espanhol à aldeia de Pitões terminou com um incêndio que deixou o mosteiro em ruínas, excepto a igreja.
O convento foi recuperado no século XVIII, no entanto com a extinção das ordens religiosas em 1834, o convento foi abandonado e alguns anos depois um novo incêndio apenas deixa a igreja de pé. Do edifício restam as paredes dos principais compartimentos, algumas arcadas do claustro e a igreja.
Ruínas Romanas:
Sexta-feira, Maio 30, 2008
Portas abertas
Longitudinalmente
Que portas são estas?
Que se feche quem lá entre!
Entre paredes, ao longo
De cantos, por entre frinchas
Quais são os segredos que pintas?
Além do mar
Guardou a sombra
Aquele último olhar…
Quando chegar a hora…
Cabos prendem velas
Ligam mundos
Supremas, relativas
Superlativas desprendem o uno
De forma tão desumana
Lá perdeste… perdi
Senti por entre frinchas e poros
A passos largos saltei muros
Tanto corri que já nem sei se cheguei
Ou se ainda não parti
Por mais que parta
Hei-de sempre chegar ao mesmo lugar.
Ubiquidade do mundo,
Que se há-de fazer!
Apenas Deus tem seu querer
Tudo Lhe é feito à imagem
Tanto o mapa como a viagem!
Monotonia, essa há-de sempre haver.
Quarta-feira, Março 26, 2008
"Toys lindos"

Chove
Sobre a relva verde
É Primavera e ao Sol se estende
E existe sem consciência disso
Corremos, caímos, brincamos
Como crianças
Tão genuínos que são
Os sentimentos
É carinho, sem dúvida
Estranho mas acolhedor
É amor…
Gratuito e indolor
Um pouco mais sozinho
Um pouco menos disperso
Mais atento ao tempo que dispenso
Aproveitando cada instante
Redenção não
Apenas mais atenção, admiração
Que só se alcança amando,
Amando quem nos ama sem dizer
E lá fora
Apenas chove
Nada mais
Terça-feira, Março 11, 2008
Tomé “Pirucinhas”
Lá em cima
Onde, e como diria Torga:
“…rasos todos os montes”,
Terrenas se desvanecem
E onde Deus se encarregará
De te devolver aquilo que não fui capaz.
Lá poderás correr de novo
Se ainda te lembrares como isso se faz
Em passo veloz pela planície verde
Como a esperança que tenho
De um dia te encontrar
Fecharam-se teus olhos
Pela última vez
Lá do alto, tão ínfimos que somos...
Será que nos vês?
Se Deus existe,
Existe para todos
Se o céu existe
Ele também existe para ti.
Adeus amigo


